por Beatriz Nascimento

30 March 2019

OBRIGADO

Fonte: Cultura Colectiva

É difícil tentar lembrar-me da primeira vez que te vi. Aliás, sempre me lembro da tua existência na minha vida, uns anos mais do que os outros.
Lembro-me das mensagens que me mandavas quando eu nem o teu número tinha ( e que ainda me pergunto como o conseguiste pois foi algo que nunca me disseste), dos olhares que mal trocávamos quando esperávamos ambos pelo autocarro das 07:20 para as aulas e da cor da tua mala.
Sempre te tive um respeito imenso, não sei se pela maneira como te comportavas e vestias, se pelo facto de seres mais velho do que eu. Sei que esse respeito ainda se mantem, se bem que as circunstâncias do porquê mudaram razoavelmente.

"Quanto a mim, apesar de não ser capaz de realizar esta viagem a teu lado, estarei sempre lá para te dar todo o apoio."

Quando eu aceitei trabalhar naquele lugar em particular, nunca esperei vir a reencontrar-te.
Sempre haveras sido tão privado e houvera ouvido tanta coisa que te difamava que nunca havera pensado que me pudesses sequer olhar duas vezes e ainda te lembrares do meu nome.
Mas lembravas. E apesar de ainda me assustar um pouco com a tua presença, o conhecer-te melhor fez com que o medo desse lugar a admiração.
Infelizmente, essa admiração trouxe consigo um desassossego que jamais pensava que ganharia.
Mas ao ver bem as coisas ( e ambos sabemos que essas coisas não são poucas), não há nada que eu me arrependa.
De roubo de beijos por entre portas, a trocas de números em papéis de guardanapo, a todas as nossas conversas ( que eu pretendo levar comigo para sempre, e que ficarão para sempre entre só nós dois).
Não me queria apaixonar por ti. Não o esperava. Mas aconteceu começar a gostar de ti como eu já há muito tempo não gostara de ninguém.

Não te amo e nunca amei. A última vez que amei uma pessoa com quem estava, levei anos a conseguir esquecê-la e tu sabes que ainda hoje recordar-me e falar de tal é algo relativamente exaustivo. 
Mas sinto o maior apreço e carinho por ti, de uma maneira que palavras não conseguem descrever.
Fiz dos teus os meus fantasmas e demónios, tentei ajudar-te ao máximo o reparar certos danos por eles deixados.
Não fui sucedida, mas tentei. Continuo a tentar ajudar-te a escalar o teu próprio Kilimanjaro. Espero que nunca desistas, que por mais difícil, doloroso e exaustivo que seja, um dia vais conseguir chegar ao pináculo, aos quase 6,000 metros de altitude.
Quanto a mim, apesar de não ser capaz de realizar esta viagem a teu lado, estarei sempre lá para te dar todo o apoio.

Sei que sempre te dei todo o espaço que requereste a teu belo favor, sem nunca pensar em pisar o risco.
Nunca te quis magoar, mesmo sabendo que seria eu a sair magoada no final.
As vezes que me avisaram de que eu não deveria me ter metido em uma relação contigo foram mais do que muitas, o que levou a ganhos e perdas de amizades.
As lágrimas que derramei ( e, sendo o mais sincera, ainda derramo) à conta desta situação, dariam para encher vários garrafões de 5L.
Mas apesar de todos os sentimentos negativos que isto me trouxe, eu tenho que te agradecer.
Afinal, eu ainda precisava de aprender mais umas coisinhas para me tornar na Mulher que anseio ser.
E por isso, tudo o que te tenho a dizer é "Obrigado".
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