por Beatriz Nascimento

22 January 2019

Próxima Estação: NW10

Credits: Shannen Garfitt Photography
Sento-me, como usual, numa das muitas cadeiras vazias que por enquanto ainda existem, enquanto o comboio percorre os recortes dos subúrbios Londrinos, parando em duas ou três estações antes de atingir Finchley Road, enquanto me abstraio do Mundo em que vivo e o troco por um mais feliz ou triste, dependendo do contexto literário do livro que trago comigo dentro da mala.
A cidade murmura por entre túneis subterrâneos, levando vida a cada estação, cruzando olhares e fazendo amores de um minuto.

São 08:30 da manhã e, apesar do tempo não ajudar muito ao meu humor, o dia já começou há cerca de duas horas.
A viagem de 50 minutos que tenho que enfrentar para chegar ao trabalho de final-de-semana que decidi arranjar para ajudar a financiar a minha prenda dos 25 anos (uma viagem aos Estados Unidos da América, no J1 Visa e sem data plausível de retorno), parece relativamente pequena, em comparação com visitas e passeios à cidade que, nos últimos quatro anos, me tem acolhido como sendo tão sua como os que aqui cresceram e foram criados.
A estação que me dá acesso à Metropolitan Line (por muitos referenciada como a Met), encontra-se relativamente calma, apenas com uma voz ecoando do altifalante, anunciado que o próximo comboio a chegar à plataforma contrária tinha como destino o final da linha.
Dois minutos depois, um novo anúncio. Desta vez, uma voz feminina emite um aviso para que todos os passageiros tenham atenção quando viajarem terem atenção às malas que trazem consigo.
Olho o relógio. 08:35.
Os minutos passam sem aviso certeiro de o comboio das 08:39 será cancelado ou não, até ao último segundo, em que uma voz rouca, masculina, de um dos mantenedores da estação avisa que o comboio será substituido pelo semi-fast com direcção a Baker St.
“No meio do caos, algo positivo.”, penso, ao notar que, apesar deste comboio estar cinco minutos atrasado, o facto de ser um semi-fast vai fazer com que chegue a Kensal Rise cerca de quinze minutos mais cedo.
Com o aparecimento do comboio, também duas mulheres, que presumo serem mãe e filha, saem da zona coberta da plataforma.
Sento-me, como usual, numa das muitas cadeiras vazias que por enquanto ainda existem, enquanto o comboio percorre os recortes dos subúrbios Londrinos, parando em duas ou três estações antes de atingir Finchley Road, enquanto me abstraio do Mundo em que vivo e o troco por um mais feliz ou triste, dependendo do contexto literário do livro que trago comigo dentro da mala.
A cidade murmura por entre túneis subterrâneos, levando vida a cada estação, cruzando olhares e fazendo amores de um minuto.
Troco de comboios enquanto verifico novamente o relógio.
09:15h.
Sei que estou a apenas 15 minutos do meu destino final e coloco os meus auscultadores musicais, trocando o cinzento de Londres pelo calor da Califórnia ou a folia do Rio de Janeiro, até atingir as escadas de acesso a Chamberlayne Road.
Cheguei mais cedo 15 minutos, o que me dá tempo de beber um café, sentada à janela do Costa, enquanto saboreio a cidade em que vivo e que amo.
Este texto foi previamente publicado a 19 de Janeiro de 2017 no grupo de Escrita Criativa CPR-A Reanimação da Escrita
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